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MANIFESTO DE UM MENINO INCONSTANTE, INCOMODADO, ANGUSTIADO, VIADO E AFEMINADO DE CABELOS AZUIS.
Ódio. Não um ódio específico a alguém, mas talvez a uma força. Ódio e repulsa a força sistemática e alienadora da mente, do corpo e da alma que se firma como verdade. Desconforto ao desespero espetaculoso observado de maneira curiosa por este que vos escreve dos muitos eu's que exalam uma deficiência de suprir algum vazio inexplicável porém latente que gera uma angústia e um desespero que incapacita um sorriso, um abraço, sentir-se vivo e potente no mundo ou estar extrovertido e livre de alguma maneira se relacionando com outros (isso também se aplica a este que vos escreve). Repulsa ao congelamento e inatividade diante de acontecimentos que afetem a ética e a justiça e ao nosso posicionamento diante do que vivenciamos cotidianamente no trabalho, ônibus, família, filas de banco, bancos de praça, de madrugada vendo alguém ser assaltado, a inércia de não doar o assento pra alguém, de ver ou ser chamado de viado na rua, de reagir quando a vontade é de partir pra porrada ou ao menos vomitar palavras gritadas e não ficar entalado por dias com o que poderia ter sido dito e não conseguiu, de ver os próprios direitos como ciclista burlados por carros cada vez mais grandes e desrespeitosos e se dar ao direito de dançar bolero de Ravel em cima deles quando isso acontecer. Medo e sede de enfrentar padrões monocromáticos de fardas das altas patentes do poder nacional, estadual, municipal, religioso, tanto como poderes provindos de indivíduos com grande acúmulo de dinheiro e bens de consumo.
O sangue ferve,os olhos lacrimejam e a raiva se acumula em mim como um câncer. Meu corpo repudia não só a um sistema, mas também a um pensamento mantenedor de um estado apático e mórbido de um formato social que é indiferente a toda e qualquer interferência absurda, caótica que venha a prestigiar, elucidar, sublinhar, almejar, propagar, destacar, salientar vínculos afetivos, carinhos, ideias, andar de bicicleta, dançar na rua no meio dia, correr na chuva, jogar pedras em um rio poluído na esperança de algo que não se sabe bem ao certo, apedrejar outdoors de propagandas políticas e mensagens publicitárias, abraçar alguém que não se vê a tempo e que viu a pouco, conseguir sorrir mesmo diante da falta de condições básicas de existência, dividir um pedaço de pão, ver o próprio filho dando os primeiros passos e falando seu nome, ter alguém ao seu lado que te diga: To com você.
Diante de todas essas intempéries quero continuar resistindo.Quero respirar de verdade, quero amar, quero aprender a mandar o guardinha (criatura paga para ficar parada e dizer - não pode!) de algum lugar tomar no cú, Quero gritar até a gargante sangrar. Quero ser viado pintoso no centro da cidade ao meio dia, quero subir em postes e cantar like a virgin, quero ser todo potência, quero ser, apenas ser um e todos, eu quero ser uma força.
Eu ainda sou correnteza
Felipe Damasceno.
Vandalismo
E se com essa lei anti terror todas as pessoas decidirem sair pra manifestar? EU DISSE TODAS. Vão prender todo mundo? Onde caberiam tantas pessoas? Onde caberia uma país inteiro preso por vandalismo? A prisão não passaria a ser aqui fora já que o país ta "preso" la dentro? O lá dentro não se tornaria fora e vice versa? Posso então crer que se o todo for "preso" o todo não sera preso, pois carregará consigo o país para trás das grades. E na minha cabeça ignorante se o todo estiver junto em qualquer lugar, aquele lugar sera sempre o lado de fora. A diferença das prisões é que será um país com sol a vontade e outro com hora para tomar banho de sol. Mas olha o lado bom, pelo menos teremos três refeições diárias. Eles tem três refeições né?!
Felipe Damasceno
Foto: Pâmela Soares.
O caos?
O que é o caos?
O caos é quando você percebe que onde tinha o tapete esta coberto com uma montanha de roupas sujas.
O caos é quando você escolhe as roupas que estão pelo caminho de sua casa. As roupas ocupam o espaço.
O caos é quando você vai procurar seu pó compacto e se depara com a margarina e o shampoo e uma planta morta no mesmo lugar.
O caos é quando você vê pratos e copos em bancos, poltronas, na cama e até no banheiro ao lado do aparelho sanitário.
O caos é quando você continua regando as plantas mortas achando que vai dar em alguma coisa, na verdade talvez nesse caso não seja mais caos... Talvez apego... Não. Não serei poético. É preguiça mesmo.
O caos é quando você acorda e vê que ao seu lado tem o pneu da sua bicicleta. Por que a sensação de insegurança é tamanha que não se consegue mais guarda-la do lado de fora e onde quer que se esteja, precisa olhar de cinco em cinco minutos se ela não foi levada.
O caos é ter a coragem de chamar alguém pra esse lugar e aceitar que aquilo tudo é você e não se sentir envergonhado por ter garrafas de cerveja de dois meses atrás no mesmo canto.
O caos é o início e o fim de todas as coisas segundo a teoria do Big Crunch, que alega que tudo ira se contrair e como em um quarto se misturar, no que um dia se dissipou e se separou.
Aceitar o caos é saber existir em meio a desordem. É saber que a desordem também deve ser respeitada. A desordem tem sua ordem e a ordem tem sua desordem.
Quando você aceita a o caos ele não fica tão insuportável como sua mãe insiste em reafirmar toda vez que vê aquilo tomando você e o dominando.
Respiro um caos que não tem a ver com lavar a louça (agora sim estou sendo um pouco poético) mas sim com a maneira inquieta diante a desordem vestida de ordem que o mundo é.

Felipe Damasceno
Dez dicas para você ser PHINA.
1 - SIGA EM FRENTE SEMPRE: Não é frase de autoajuda, é literalmente mesmo. Se iniciou uma ação termine-a. Sempre com calma. Ande na rua como se estivesse na abertura da novela INDOMADA. Nada te deterá. Não espere o sinal fechar. Siga, os carros irão parar pra vocês diante de tanto poder e auto confiança.
2 - Evite olhar para os lados e para baixo ao andar. Não seja tosca, pra que olhar pra baixo? Olhe pra frente. O seu caminho esta lá. Para olhar as direções citadas use apenas o globo ocular. Se nos primeiros dias não conseguir use óculos escuros.
3- Jamais. Em hipótese alguma olhe para os degraus de uma escada ao desce-la. Novamente use os óculos escuros para acostumar-se e ocultar seu olhar de desespero e medo de cair e ser motivo de chacota.
4- No mundo existe algo chamado gravidade e mais cedo ou mais tarde ela vai vencer você, por tanto esteja apta a fazer um rolamento ou mesmo uma entrada no chão (termos de dança contemporânea) Não levante-se. Faça algo performático. Arraste-se, diga que é contra o capitalismo, cite um texto de Nelson Rodrigues ou qualquer outro. Seja criativa.
5 - Esteja sempre pronta para uma foto. SEMPRE. Ao entrar em um recinto é crucial que você possa detectar onde estão as câmeras. Evite tirar fotos em celulares anteriores tecnologicamente a smarthphones. Não queira sua imagem difundida em baixa qualidade.
6- Ao notar as câmeras haja como em um comercial de shampoo. Slow. Super slow. Evite expressões nas fotos. Não faça caretas. Relaxe o rosto como se tivesse sido anestesiada(o) e olhe fixamente para a lente, ou para o infinito.Depende do contexto da foto
7-Sustente o look até o fim. Isso é básico. Se inventou, agora aguente. Jamais saia de um recinto carregando peças de suas próprias roupas, como uma mendiga ou pior, como patricinhas em fim de ano. Mendigos ainda são tendência.
8 - Não seja tão simpática. Simpatia demais a imbeciliza. Seja nojenta de vez em quando, pegue um momento da noite (ou dia) pra olhar com nojo as coisas ao seu redor
9- Não esteja nos lugares.Derive. Plane. É de bom tom estar en passant.
10 - Não saia sem dinheiro na noite.
Damas.
Posts.
Paixão é planta imunda que nasce em meio a merda que se é enquanto ser e suga tudo de ruim que se tem no peito. Quando morre, apodrece a alma e amarga os Olhos. Coração infértil e seco, rachado pelo que se imaginou de alguém que se teve por tempo breve ou que nunca se teve.
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Existem certas crenças que respiram em mim. Crenças e defesas. Defesas de mim e de um mundo ríspido e ácido, crença no outro como apaziguamento de um eu perturbado e angustiado. Ter a paz interna de apreciar a própria respiração, poder fechar os olhos devagar e ver as coisas escurecendo. Sem medo, vivo.
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Existem certas crenças que respiram em mim. Crenças e defesas. Defesas de mim e de um mundo ríspido e ácido, crença no outro como apaziguamento de um eu perturbado e angustiado. Ter a paz interna de apreciar a própria respiração, poder fechar os olhos devagar e ver as coisas escurecendo. Sem medo, vivo.
Felipe Damasceno.
Devaneios facebokianos do dia.
É realmente questionador como um espécime como eu possa chamar a atenção de pessoas comuns na rua e faze-las olhar mais de uma vez. É isso ou a minha afinidade pelo narcisismo pós internet e esse egocentrismo latente me pregando peças.
Suspensão. Ao ouvi-la me vem em mente uma parábola, uma crescente e logo em seguida uma queda brusca para uma plano anterior. O ápice da parábola foi uma mentira, fui tomado pelo meu enorme apreço por coisas surreais, oníricas e virtuais.
Creio estar de volta ao plano anterior.
A efemeridade nunca devia ter escapado dos braços da moda. Ela nunca deveria ter invadido o mundo das relações. Agora ela cresceu, é adulta e tomou conta de um mundo inteiro.
Gritei mil vezes fim, renascendo com meu exibicionismo, minhas botas e meu glitter no rosto.
Artista-antena existe?
Ética. Bem, obviamente o que direi aqui esta descontextualizado como forma de proteção. Mas...
Fui ético tantas vezes e o que ganhei com isso? Bem alguns outros próximos não se preocuparam quando disse que aquilo me machucava, mesmo sendo de forma indireta, Então? É claro que isso não ocorre de forma constante, mas me questiono: Por que tenho que ser bonzinho sempre? Tenho que ser bonzinho sempre? Não que eu seja. Quem é bonzinho o tempo todo, como todos nós bem sabemos, sempre toma no cu, e não é da forma legal, e refletindo sobre todas essas coisas penso que devo sim exercitar o NÃO e o egoísmo. Isso claro no meu caso, você querido que lê isso faça o que achar melhor, ou o que disseram pra você achar, ou que inconscientemente você acredita, mas deve sim ser lembrado que para algo entrar em algum canto, alguém tem que facilitar, alguém tem que abrir a porta e a porta não pode ser aberta por você, você faz a recepção.
Ética... O que é mesmo isso? No colégio nunca soube ao certo o que significava, na verdade nos tempos de colégio só queria saber de chegar em casa e assistir meus desenhos. Continuo querendo chegar em casa hoje em dia, mas a diferença é que estou nela e nunca chego. Voltando a ética, sempre que se perguntava sobre ela, via como um mistério, era algo grande demais para que pudesse compreender. Compreendia que era algo que regia algo de algum modo,mas não sabia de que forma e como. A verdade é que ainda hoje não sei o que ela é. Mas sempre me vem a palavra altruísmo quando penso nela, e de certa forma a exército. Mas penso que seja covardia mesmo, covardia de querer aquilo por que simplesmente se quer e o outro me olhar com juízos e me acusar de egoísmo. A grande verdade é que sinto que fingimos viver, fingimos sentir, e fingimos amar. Tudo me soa teatral, interpretado, simulado, até eu mesmo. Será que acho isso de mim, e, presunçosamente, penso que seja um mal do mundo? Será que isso de se colocar como artista-antena existe? Será que estou louco? Que o que sinto que é comum, nada mais é do que um egocentrismo? E se for por que isso faz me sentir mal? Por que ser presunçoso é ruim? Sei que fujo um pouco da linha de raciocínio, na verdade sempre fujo mesmo, não sou nada coerente.
Não sei como dar fim, então é isso.
Felipe Damasceno
Na geladeira.
Oh céus, que faço eu? Não sei se como, se durmo, se vou ou se fico. Não sei se me deito e conto os momentos frustantes da vida, ou se penso na novela e no dia de trabalho amanhã. O que faço diante da geladeira? Como vim até aqui? Mas já que vim... Pra que preciso dela? Deus! Como sou inconstante e desapercebido das coisas do mundo, como poderia eu ter vindo parar aqui? Uma ausência de memória repentina me ceifou a lucidez da existência e percurso de poucos metros de distância de onde estava para onde estou? Um salto quântico? Talvez seja o mundo das sombras que Platão tanto dizia? Onde esta esse das idéias?
O que são tais idéias perfeitas que me assolam? Que assolam os reis? Emfim, por que vim até aqui? Me refiro a geladeira. Falo da GELADEIRA. Ok! Vamos por parte. A geladeira é pra manter as coisas conservadas, frias e de preferencia úteis para mim de alguma forma, eu abro-a quando necessário e retiro o que dela me interessa. Depois fecho-a. Simples. Mas sempre me pergunto no que acontece quando eu fecho geladeira, ou um armário. Será que as coisas permanecem ali tais como as deixei? Será que não são levadas para outro lugar? Como um buraco negro? E se essas coisas "mortas" estiverem vivas? Se elas pensarem? Tiverem vontade própria? Deus! Que cruel sou, eu as como. Mas quem sou eu, reles criatura faminta e egoísta para impedi-las de, por exemplo, saírem da geladeira? Irem até o microondas nas férias, ou no fogão elétrico? Visitar seus companheiros no armário? Correrem livres pela casa. Não me levem a sério, vegetais e condimentos industrializados não tem vontade própria. Tem como utilidade unica serem comidos.
Ainda estou diante dela. Ainda tenho mil vontades e mil indecisões. Como indeciso posso ser diante de tantas coisas que me são ofertadas pelo mundo? Tenho tudo. tenho pão, tenho café, tenho até leite condensado e um cigarro amassado, que mais iria querer no mundo lá fora? Por que essa fome? Fome de sair? Fome de comida? Fome de gente? Fome de sexo? Fome de amor? Fome de amizade colorida? Fome de tantas coisas que se ditas perdem a graça de se ter fome. Pois só se tem fome quando o estômago esta vazio. Óbvio. Por que iria querer mais do que meu estômago suporta? Que maluquice né?!
Sempre me perguntei por que pra dormir tem que se fechar os olhos. Seria biologicamente incorreto, tendo em vista que para a perpetuação da espécie, dormir de olhos fechados facilita os predadores de nos pegarem, né não?! Eu só tenho sono nas horas mais chatas, que é quando eu não quero e não posso dormir, confesso que acho chato dormir, fica de olho fechado, não ver as coisas acontecendo, não poder participar. Ai eu lembro da geladeira de novo, será que eles não saem por que estão dormindo? Estão dormindo? Várias vezes eu deixei a geladeira aberta e eles continuarão lá. Talvez seja como aquela estória de elefantes de circo, é assim: Quando jovens são amarrados em um pino de ferro resistente, pois se agitam muito por estarem e passarem o tempo todo presos, já mais velhos o pino é mais frágil, de madeira, pois estão velhos e já se acostumaram com aquilo tudo lá. Legal né? Fiquei me perguntando pra que eles trocaram os pinos? Poucos pinos? Nem sei se esta estória é verdadeira, eu vi em algum lugar, acho que em um desenho animado. Achei que fosse verdade ai contei, rs!.
Ai! quero correr. Sabe aquela vontade de correr e tacar o cu na pista até ralar todinho? Pois é! As vezes da essa vontade, não sei por que. Por que teria vontade de sair correndo? De tacar o cu na pista? Qual o sentido disso? Humano inconstante. Me deu sono. Acho que vou dormir. Tchau!

Felipe Damasceno
Estado Vitrine - A roda infinita do desejo pelo desejo.
Vitrine
Uma vitrine, vitrina (português brasileiro) ou montra (português europeu) (do francês vitrine e montre) é um espaço envidraçado dentro de uma loja, onde são dispostos produtos para venda de tal forma, que possam ser vistos da rua pelos transeuntes. Geralmente, no caso de lojas de roupas, as vitrinas ostentam também manequins em seu interior.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Antes de iniciar esse devaneio gostaria de deixar claro que esses escritos foram feitos a partir da observação livre e pessoal do cotidiano em que estou inserido e que sem sombra de dúvida esta sendo estudado ou já foi estudo de outros com um ótica mais aprofundada. Não tenho propriedade sobre o assunto, sendo apenas algo que muito me chama a atenção e me interessa, mobilizando-me a escrever sobre.
O principio básico do desejo é o não ter o objeto desejado, partindo desse paradoxo, grande parte da publicidade utiliza-se disso como técnica de venda. Ao gerar desejo no outro você cria nele expectativas que estão para além da realidade e da possibilidade de satisfação. Sempre há uma nova versão para um produto existente, uma nova embalagem que lhe insinua outro funcionamento, melhor que o anterior, mais apto a atender suas necessidades. Que necessidades? De onde vem essas necessidades? De nós? Esse ato gera no consumidor uma constante insatisfação, pois sempre ao aparecer uma nova versão, a versão adquirida pelo consumidor torna-se ultrapassada e inútil fazendo com que o ato de adquirir a nova versão feche a pessoa em um ciclo vicioso infinito.
Essa roda infinita gera no homem contemporâneo uma angústia, uma sensação que não se sabe de onde vem, por que se sente e como não se sabe de onde vem nem o que é logo não se sabe como extermina-la. A cura para ela que nos é ofertada é um paliativo: a aquisição do objeto de desejo. O mundo é gerido por essas leis de mercado como forma de existência, que coloca-nos não mais como uma simples engrenagem ou macacos que parafusam peças de carro de um grande sistema, mas agora (com maior enfoque) como pessoas que desejam; que querem sentir prazer constantemente; sem que haja alguém que possa impedir nosso “eu” hedonista de satisfazer nossos eternos prazeres. Necessidades essas (ao meu ver) plantadas pela publicidade.
“...Desesperançados de incrementar suas vidas com o que interessa, as pessoas convenceram-se de que o importante é o auto crescimento psíquico: entrar em contato com seus sentimentos, comer alimentos saudáveis, tomar lições de dança clássica ou dança do ventre, mergulhar na sabedoria do oriente, correr, aprender a se "relacionar", superar o "medo do prazer". Por si só inofensivas, essas buscas, elevadas ao nível de um programa e embrulhadas na retórica da autenticidade e da consciência, significam um recuo da política e um repúdio ao passado recente.” (A Cultura do Narcisismo – Christopher Lasch).
Essa forma de funcionamento mercadológico é também absorvida no espaço social do entretenimento (festa). A mesma técnica utilizada pelo mercado, incluindo sua lógica, é utilizada no ato ou tentativa de relacionar-se. A pessoa se produz, se embeleza utilizando ou não de artifícios para atingir ao que é considerado em nossos tempos como beleza (cria-se a imagem de si), concluído o processo de “fabricação”, inicia-se o processo de sedução: forma de andar, de dançar, de beber, de fumar. Observei isso em boates, no caso gays, e o que estive notando é uma barreira entre os frequentadores, ou seja, uma certa inacessibilidade como forma de despertar no outro a necessidade de possui-lo. Despertar o desejo. O que ocorre é que mesmo interessados não se dispõem a “ficar”, mesmo que momentaneamente, com aquele, ou seja, desperta-se o desejo para nada, simplesmente para acariciar o próprio ego. Esse joguinho perpetua-se por horas, onde ninguém cede, pois ceder é deixar o outro “possui-lo”, e como no mercado, será descartado e trocado por outro que possa vir a ceder. Isso se dilui em todas as formas de relacionar-se, como na internet.
Na internet, estando protegido do “olho no olho” e comunicando-se pela palavra escrita, ocorre o mesmo, mas de forma mais intensa. Na internet, mais precisamente no Facebook, onde ao adicionar alguém, você tem acesso (ou não, mas em sua grande maioria sim) a coisas das pessoas que no espaço “real” que estão no “Estado Vitrine” você não teria, como fotos pessoais e do próprio corpo mais despido, pensamento em forma escrita, tipo de música, tipo de filmes preferidos, lugares preferidos facilitando de certo modo uma melhor elaboração na forma de se aproximar através do “in box” ou das “cutucadas”.
“A medida que o mundo público passou a ser visto como um espelho do eu, as pessoas perderam a capacidade de distanciamento e, consequentemente, do encontro lúdico, que pressupõe um certo distanciamento do eu.” (A Cultura do Narcisismo – Christopher Lasch).
Estado Vitrine: é manter o outro em um estado de desejo (como no processo mercadológico de renovação de produto, serviços, atividades, crenças, ou seja, ideologia do novo) sem finalidade de entrega, com o princípio único de exaltar o próprio ego e manter-se sendo desejado infinitamente.
Felipe Damasceno
Devaneio sobre o mínimo.
Há uma tendência de ficar parado. Pelo menos é o que percebo. A tendencia do mínimo. Mas será que essa, a parada de ser tudo menor e tal, seria mesmo uma escolha? Quer dizer... Essa possibilidade é usado pelo corpo como uma auto defesa, onde esse corpo se coloca sempre em estado de conforto e economia de energia. Sobrevivência. Obviamente o caminho do mínimo é uma possibilidade primorosa e potencializadora no rumos da arte, mas por vezes a busca pelo excessivamente simples e menor, pelo polimento das camadas da ideia esvazia a ação ao ponto de torna-la... Nada. O esvaziamento é recorrente tanto na maneira de criar, como na vida. O blasé, o mínimo, o "não surpreender-se". Em algumas experiencias pessoais vivi o episódio de antes mesmo de alguém propor algum objeto ou ação estética ou desdobramento de algo existente, já saber o que a pessoa ira propor. Não sei se isso é bom ou ruim, mas existe.
Só queria trazer a tona esse que vejo como um incomodo geral, afinal todos fazem piadinhas e trocadilhos a cerca desse assunto nas filas de espetáculo.
Depois de tudo sempre acabo ficando com meu microondas.
Quero sim ter esse direito.
Quero sim...
Começa com ele vindo morar no meu prédio, ele entra com a mudança e eu to fazendo meu almoço ou chegando de um ensaio. Lá fora tem um caminhão de mudança e todos os moveis dele (óbvio, afinal é um caminhão de mudança). Eu saio para estender a toalha ou para olhar para a rua e então o vejo e fico feliz por não ser mais uma velha chata ou família sem graça fazer parte da vizinhança. Por um tempo curto admiro-o, mas ai lembro que não sei me relacionar e que de um modo inconsciente tenho medo ou algo que talvez não saiba explicar. Acho-o bonito, meio fortinho, com carinha de nerd e tem minha idade, talvez uma barba, ando em dúvida com barbas.
Entro em casa e tento esquecer e parar de pensar naquilo. Lembro que as ultimas tentativas de relacionamento não deram certo e que prometi não mais ficar perdendo tempo com essas babozeiras.
Percebo nas últimas duas horas que saio mais de casa do que o normal, afinal ele ta organizando as coisas dele. Passo em frente ao apartamento dele só pra ver se ele me nota, mas nada. Depois de desfilar cinquenta e oito vezes afim de ser notado desisto e vou entrar.
Noite.
Quando acordo. Quando abro os olhos ele é a primeira coisa que me vem a mente. Quando desço finalmente ele me vê. O tempo para como nos filmes mamão com açúcar da sessão da tarde, não consigo sair e parar de olhar. Acordo. Fico constrangido e sigo. Como nas novelas eu olho pra trás e ele ta olhando. Fico rindo feito abestado o caminho todo. As coisas parecem mais iluminadas, mas começo a questionar-me que é viagem da minha cabeça e que aquele menino não vai querer nada comigo, questiono-me que ele possa ser hétero e que olhou para mim como um ser humano olha para outro, eu é que tenho a mania de achar que só por que alguém olhou para mim vai ajoelhar-se e pedir-me em casamento.
De noite ele vai pedir açúcar, café, feijão, leite condensado, qualquer coisa, afinal o sonho é meu e o que importa é que ele vá. Eu saio, mas antes ajeito o calção e coloco uma blusa para não parecer exibido. Ele pede. eu digo espera e vou pegar. Ele puxa conversa sobre a segurança do bairro ou qualquer merda. Eu olho, mas disfarço. Fico pensando se agente vai namorar. Fico pensando como seria. Fico pensando se tenho o direito disso. Fico pensando se não seria melhor entrar e fechar a porta. Fico pensando... Ele me beija. Paro de pensar. O tempo para de novo, mas agora com o acréscimo da sensação de que não tem nada na minha mente, nada que antes ficava rodando como um filme velho.

Nos primeiro dias não consigo me concentrar em nada e todo mundo fica falando que to muito alegrinho. Não uso mais tanto óculos escuros. Nos encontramos a noite. Sem ninguém saber. Alguma espécie de buraco é tapado, uma certa angustia se dissipa, não que tudo tenha ficado perfeito, mas não dói tanto como antes. Dói mas só as vezes, uma vez perdida.
podíamos sair por ai.
Podíamos...
Não sei mas o que querer... Não sei de fato qual meu propósito.
Fico pensando o tempo todo que to perto de morrer.
Não sinto nada, e não por que não querer ser emotivo, é que não sinto mesmo.
De algum modo deixei alguma coisa perdida por ai.
To cansado, cansado de todos. Cansado das mesmas coisas. Cansado das mesmas crises. Cansado de ser chato, de ser amargo. Cansado dessa merda de arte, que talvez fosse melhor ser uma pessoa comum e comprar pão todas as manhãs e comer o mais rápido possível para não atrasar-se para o expediente de 16 horas. Chegar em casa e ver novela e sonhar com aquela vida e dormir cedo para trabalhar no dia seguinte. Se é pra ser vazio, que seja por completo. Cansado dos afetos, cansado de atores, de artistas e de bailarinos idiotas. Talvez ser normal seja uma dádiva.
Eu estou cansado
Ah! Continuando... Depois de alguns meses eu acabo com tudo com medo de alguma coisa. Tudo volta a ser como antes... Eu e meu microondas.
Quero sim...
Começa com ele vindo morar no meu prédio, ele entra com a mudança e eu to fazendo meu almoço ou chegando de um ensaio. Lá fora tem um caminhão de mudança e todos os moveis dele (óbvio, afinal é um caminhão de mudança). Eu saio para estender a toalha ou para olhar para a rua e então o vejo e fico feliz por não ser mais uma velha chata ou família sem graça fazer parte da vizinhança. Por um tempo curto admiro-o, mas ai lembro que não sei me relacionar e que de um modo inconsciente tenho medo ou algo que talvez não saiba explicar. Acho-o bonito, meio fortinho, com carinha de nerd e tem minha idade, talvez uma barba, ando em dúvida com barbas.
Entro em casa e tento esquecer e parar de pensar naquilo. Lembro que as ultimas tentativas de relacionamento não deram certo e que prometi não mais ficar perdendo tempo com essas babozeiras.
Percebo nas últimas duas horas que saio mais de casa do que o normal, afinal ele ta organizando as coisas dele. Passo em frente ao apartamento dele só pra ver se ele me nota, mas nada. Depois de desfilar cinquenta e oito vezes afim de ser notado desisto e vou entrar.
Noite.
Quando acordo. Quando abro os olhos ele é a primeira coisa que me vem a mente. Quando desço finalmente ele me vê. O tempo para como nos filmes mamão com açúcar da sessão da tarde, não consigo sair e parar de olhar. Acordo. Fico constrangido e sigo. Como nas novelas eu olho pra trás e ele ta olhando. Fico rindo feito abestado o caminho todo. As coisas parecem mais iluminadas, mas começo a questionar-me que é viagem da minha cabeça e que aquele menino não vai querer nada comigo, questiono-me que ele possa ser hétero e que olhou para mim como um ser humano olha para outro, eu é que tenho a mania de achar que só por que alguém olhou para mim vai ajoelhar-se e pedir-me em casamento.
De noite ele vai pedir açúcar, café, feijão, leite condensado, qualquer coisa, afinal o sonho é meu e o que importa é que ele vá. Eu saio, mas antes ajeito o calção e coloco uma blusa para não parecer exibido. Ele pede. eu digo espera e vou pegar. Ele puxa conversa sobre a segurança do bairro ou qualquer merda. Eu olho, mas disfarço. Fico pensando se agente vai namorar. Fico pensando como seria. Fico pensando se tenho o direito disso. Fico pensando se não seria melhor entrar e fechar a porta. Fico pensando... Ele me beija. Paro de pensar. O tempo para de novo, mas agora com o acréscimo da sensação de que não tem nada na minha mente, nada que antes ficava rodando como um filme velho.

Nos primeiro dias não consigo me concentrar em nada e todo mundo fica falando que to muito alegrinho. Não uso mais tanto óculos escuros. Nos encontramos a noite. Sem ninguém saber. Alguma espécie de buraco é tapado, uma certa angustia se dissipa, não que tudo tenha ficado perfeito, mas não dói tanto como antes. Dói mas só as vezes, uma vez perdida.
podíamos sair por ai.
Podíamos...
Não sei mas o que querer... Não sei de fato qual meu propósito.
Fico pensando o tempo todo que to perto de morrer.
Não sinto nada, e não por que não querer ser emotivo, é que não sinto mesmo.
De algum modo deixei alguma coisa perdida por ai.
To cansado, cansado de todos. Cansado das mesmas coisas. Cansado das mesmas crises. Cansado de ser chato, de ser amargo. Cansado dessa merda de arte, que talvez fosse melhor ser uma pessoa comum e comprar pão todas as manhãs e comer o mais rápido possível para não atrasar-se para o expediente de 16 horas. Chegar em casa e ver novela e sonhar com aquela vida e dormir cedo para trabalhar no dia seguinte. Se é pra ser vazio, que seja por completo. Cansado dos afetos, cansado de atores, de artistas e de bailarinos idiotas. Talvez ser normal seja uma dádiva.
Eu estou cansado
Ah! Continuando... Depois de alguns meses eu acabo com tudo com medo de alguma coisa. Tudo volta a ser como antes... Eu e meu microondas.
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