Revolution. My revolution.

A questão não é mais sobre o incomodo aparente de estar em tais lugares, mas sim de eu "ser" em tais lugares. Outrora questionaria tais costumes e listaria em metros a fio defeitos e contras de estar ali. Mas o que se percebe, ou se aceita hoje em Damasceno é  um ser ranzinza, chato e por vezes negativo. Mas qual o motivo de tais características? Não sei. Talvez o seu aprofundamento na personalidade warholiana, ou as clássicas crises familiares (artista que é artista não pode ter uma família perfeita, faz parte do currículo, além de ser charmoso vir de uma família sofrida, pobre e problemática) ou mesmo o desgosto de ver o quão estúpida a sociedade se torna ao longo do árduo caminho percorrido pela evolução da espécie humana.

Poderia ser sim um pouco mais tolerável com dancinhas que insinuam o coito e essas palavras sacralizadas pelo nosso cotidiano midiático como: "fuck", "bitch", vagabunda, cu, pau, buceta, "tche tche rê rê" dentre uma miríade de outros vocábulos cada vez mais monosilábicos e diretos. Mas e daí? Como outras mudanças de paradigma e revoluções  na história da raça humana, isso pode ser sim uma nova ordem cultural. Claro que para quem esta ajudando ou mesmo observando o trabalho de parto dessa possível nova ordem, uma ordem regrada a exibições do eu, alusões ao sexo hedonista e relacionamento esquizofrênicos mediados pela internet soa como vazio, pueril e inútil. Mas se você se coloca em um ponto de vista atemporal, ou seja, ver por outra perspectiva o tempo atual as coisas meio que mudam de sentido. Voce não, eu. Afinal eu não sei o que você acha disso tudo.

Notamos que no decorrer da história da espécie humana, essa menina dos olhos do planeta, criou coisas e outros "macaquinhos" não concordaram com a criação daquilo. Basicamente isso é o que nutre a história e a faz, de certo modo, prosseguir e a partir dos conflitos gerados por esse "quero" e "não sou obrigado" esse símio bípede contempla sua nova era, com publicidades, imagens múltiplas de si próprio, Facebook, narcisismo, egocentrismo, "Buceta no chão, buceta no chão"...

Mas onde quero chegar com tudo isso? A grande verdade é que não sei bem onde quero chegar com tudo isso, mas é notável que estamos passando por uma mudança. Uma revolução. A revolução do não agir. A revolução do parar. A revolução do foda-se eu vou embora. A revolução do "tem muita gente se fudendo, vamos ler uma poesia". A revolução da... A revolução que você quiser. Joanas Dar'c desembainham suas espadas e as erguem com louvor e coragem nas redes sociais afim de defender ideais, enquanto no mundo real (intelectuais fazem aquele simbolo das aspas com as mãos) limita-se a...Há mundo real para revoluções? - Sim! Estamos Juntos, por que isso é desumano  inadmissível, precisamos estar unidos, mas como é seu nome mesmo?


Isso tudo pode soar negativo e por vezes catastrófico, mas como disse no princípio desse texto, a história se repete e ao longe, bem ao longe, vislumbro no turvo horizonte do tempo e do imprevisível algo... Esfuziante.



Felipe Damasceno


Devaneio sobre o mínimo.


Há uma tendência de ficar parado. Pelo menos é o que percebo. A tendencia do mínimo. Mas será que essa, a parada de ser tudo menor e tal, seria mesmo uma escolha? Quer dizer... Essa possibilidade é usado pelo corpo como uma auto defesa, onde esse corpo se coloca sempre em estado de conforto e economia de energia. Sobrevivência. Obviamente o caminho do mínimo é uma possibilidade primorosa e potencializadora no rumos da arte, mas por vezes a busca pelo excessivamente simples e menor,  pelo polimento das camadas da ideia esvazia a ação ao ponto de torna-la... Nada. O esvaziamento é recorrente tanto na maneira de criar, como na vida. O blasé, o mínimo, o "não surpreender-se". Em algumas experiencias pessoais vivi o episódio de antes mesmo de alguém propor algum objeto ou ação estética ou desdobramento de algo existente, já saber o que a pessoa ira propor. Não sei se isso é bom ou ruim, mas existe.



Escolhas. Cada um escolhe o que mais convém com o seu trabalho, sua parada saca?!

 Só queria trazer a tona esse que vejo como um incomodo geral, afinal todos fazem  piadinhas e trocadilhos a cerca desse assunto nas filas de espetáculo.

Vídeo: Como é criar expectativa?

            

Fico feliz de ver como as coisas caminho para mim. Tenho ultimamente pensado no fazer artístico, na estética, no ''jeitinho'' de cada um fazer e se expressar e tenho ficado feliz com o meu, apesar de notar que poderia ser mais produtivo.

Bem o vídeo acima de foi criado de uma maneira que muito me alegra, de forma improvisada e no tempo de cada um de nós. Pensamos em algo com falas e deixamos rolar de forma cotidianamente a la Andy Warhol, afinal eu estava presente. Daí as coisas foram emergindo e criando algum sentido, alguma narrativa mesmo que de forma desconexa.

O melhor é que me vejo nisso tudo, me vejo nos comentários, nos olhares e nas açoes de cada um deles, talvez por isso tenha dado tão ceto. Bem é isso assistam e se puderem comentar ficarei feliz em saber suas opiniões.

Felipe Damasceno.

Depois de tudo sempre acabo ficando com meu microondas.

Quero sim ter esse direito.
Quero sim...


Começa com ele vindo morar no meu prédio, ele entra com a mudança e eu to fazendo meu almoço ou chegando de um ensaio. Lá fora tem um caminhão de mudança e todos os moveis dele (óbvio, afinal é um caminhão de mudança). Eu saio para estender a toalha ou para olhar para a rua e então o vejo e fico feliz por não ser mais uma velha chata ou família sem graça fazer parte da vizinhança. Por um tempo curto admiro-o, mas ai lembro que não sei me relacionar e que de um modo inconsciente tenho medo ou algo que talvez não saiba explicar. Acho-o bonito, meio fortinho, com carinha de nerd e tem minha idade, talvez uma barba, ando em dúvida com barbas.

Entro em casa e tento esquecer e parar de pensar naquilo. Lembro que as ultimas tentativas de relacionamento não deram certo e que prometi não mais ficar perdendo tempo com essas babozeiras.
Percebo nas últimas duas horas que saio mais de casa do que o normal, afinal ele ta organizando as coisas dele. Passo em frente ao apartamento dele só pra ver se ele me nota, mas nada. Depois de desfilar cinquenta e oito vezes afim de ser notado desisto e vou entrar.

Noite.

Quando acordo. Quando abro os olhos ele é a primeira coisa que me vem a mente. Quando desço finalmente ele me vê. O tempo para como nos filmes mamão com açúcar da sessão da tarde, não consigo sair e parar de olhar. Acordo. Fico constrangido e sigo. Como nas novelas eu olho pra trás e ele ta olhando. Fico rindo feito abestado o caminho todo. As coisas parecem mais iluminadas, mas começo a questionar-me que é viagem da minha cabeça e que aquele menino não vai querer nada comigo, questiono-me que ele possa ser hétero e que olhou para mim como um ser humano olha para outro, eu é que tenho a mania de achar que só por que alguém olhou para mim vai ajoelhar-se e pedir-me em casamento.

De noite ele vai pedir açúcar, café, feijão, leite condensado, qualquer coisa, afinal o sonho é meu e o que importa é que ele vá. Eu saio, mas antes ajeito o calção e coloco uma blusa para não parecer exibido. Ele pede. eu digo espera e vou pegar. Ele puxa conversa sobre a segurança do bairro ou qualquer merda. Eu olho, mas disfarço. Fico pensando se agente vai namorar. Fico pensando como seria. Fico pensando se tenho o direito disso. Fico pensando se não seria melhor entrar e fechar a porta. Fico pensando... Ele me beija. Paro de pensar. O tempo para de novo, mas agora com o acréscimo da sensação de que não tem nada na minha mente, nada que antes ficava rodando como um filme velho.

Nos primeiro dias não consigo me concentrar em nada e todo mundo fica falando que to muito alegrinho. Não uso mais tanto óculos escuros. Nos encontramos a noite. Sem ninguém saber. Alguma espécie de buraco é tapado, uma certa angustia se dissipa, não que tudo tenha ficado perfeito, mas não dói tanto como antes. Dói mas só as vezes, uma vez perdida.

podíamos sair por ai.
Podíamos...

Não sei mas o que querer... Não sei de fato qual meu propósito.
Fico pensando o tempo todo que to perto de morrer.
Não sinto nada, e não por que não querer ser emotivo, é que não sinto mesmo.

De algum modo deixei alguma coisa perdida por ai.
To cansado, cansado de todos. Cansado das mesmas coisas. Cansado das mesmas crises. Cansado de ser chato, de ser amargo. Cansado dessa merda de arte, que talvez fosse melhor ser uma pessoa comum e comprar pão todas as manhãs e comer o mais rápido possível para não atrasar-se para o expediente de 16 horas. Chegar em casa e ver novela e sonhar com aquela vida e dormir cedo para trabalhar no dia seguinte. Se é pra ser vazio, que seja por completo. Cansado dos afetos, cansado de atores, de artistas e de bailarinos idiotas. Talvez ser normal seja uma dádiva.
Eu estou cansado

Ah! Continuando... Depois de alguns meses eu acabo com tudo com medo de alguma coisa. Tudo volta a ser como antes... Eu e meu microondas.



Profecias do manequim oco.




Por mais prolixo que possa parecer, é verdadeiro. Os signos passam como nuvens, e o que outrora fora um brilho lunar, hoje não passa de uma luz recortada e facetada de um ecrã. A sensibilidade que possa existir em um calcário esta no olhar daquele que o observa.

O manequim permanece oco e parado... Estático diante da película que o divide do movimento agitado do mundo lá fora. Nada mais importa além do espelho; nada mais importa além da voz e dos problemas do espelho. Um nada preenchido de si mesmo preenche o oco de um mundo qualquer.

Os ponteiros retrocedem avançando, e a face que me olha nada mais é do que um estranho. Um estranho esquisito, frágil e escroto que permanece... Permanece.

Jamais.

Jamais lembrar desse outro alguém. Palavras inúteis para a inutilidade de um alguém, para a inutilidade de um sentimento. Sentir... Quem sente são os tortos espelhos do planeta.



O sol atinge o chão, brilha, esquenta e a caixa branca permanece fechada guardando um covarde. Guardando uma simulação... Uma simulação de algo inexistente, incoerente, incompleto e repleto de imagens simuladas de seu próprio futuro.

Vou-me, me vou para além mar... Vou-me... Vai-se.

Morre!



Uma revoada rasga o céu e atinge o âmago daquele que olha. Talvez o cegar-se seja libertador.







Felipe Damasceno.

Sempre será seu enquanto não tiveres.


Alguns devaneios: 


É claro que essa não será nossa única maneira de relação.

Se nós vivêssemos em um mundo onde o ver não fosse tão importante, sentido esse eleito como principal diante dos outros, talvez não ligássemos tanto para a imagem. Óbvio a imagem existe por que existe o ver, sem o ver a imagem não se torna possível, acredito que você deva concordar comigo, não?

É um pedaço de carne. Pedaços de carne com epilepsia agarrados uma a outra (simulando mentalmente estar com outras pessoas) em busca da liberação de fluídos e algumas correntes elétricas a mais ou a menos, sei lá, no sistema nervoso central. Claro existe a parte do sentimento e coisa e tal, mas isso é algo mais complexo. A grande verdade é que acredito nunca ter gostado dessa que é a atividade central na criação de músicas, programas, conversas, cosméticos, bebidas alcoólicas e uma miríade de produtos do homem contemporâneo.
 
A grande verdade disso tudo é que a graça não esta no fim, mas no meio. No entre, no quase, ou seja, o gerúndio é mais interessante do que o presente. O devir de obter algo é o que tem sustentado nossa sociedade consumista e hedonista. Tudo começa com o não ter e o não ter que faz você querer algo. Na verdade é o eterno querer, o eterno necessitar. Schopenhauer não me deixa mentir. Eu quero o tempo todo, o problema e que só quero, o querer em si me sacia. Ver que alguém te quer muitas vezes já é o bastante. Ser desejado. Ser cobiçado. A partir disso concluímos que só posso desejar algo que não possuo, ou seja, se entregar-me, deixo de ser desejado e torno-me ultrapassado e sem graça. Sei que soa absurdo, mas é assim que tenho percebido certas possibilidades de relacionamentos. Possibilidades essas não concebidas por causa desse sintoma. Eu vejo em toda parte, nas boates, nos bares, nas conversas, nas fotos de perfil enfim, por toda parte vejo que a um despertar desejo no outro, mas paralelo a isso há uma inacessibilidade e uma impossibilidade.

Não sei... Isso é tão latente, tão gritante, tão... Tão... Enfim.



I wish ... eternal desire. Even death.




Profecia.


Sempre o que me paga nesse mundinho miserável que por vezes 

frequento são os olhares. Vivemos por eles, 

para eles e em função deles. A imagem é o centro. A imagem é o 

início e o fim, e a invisibilidade tornou-se

 sinônimo de morte.


                                                    Felipe Damasceno



Aula de pesquisa.

              Bem aqui é o último vídeo de aula que faço dentre vários que filmo. Como não tenho direção de outra pessoa, uso a câmera como olho para poder me dirigir. É uma linha de movimento meio instintiva e difícil de fechar coreograficamente, tenho tido dificuldade com ela, mas é o que quero como movimento pra mim.



                                      






Próteses

         Diante daquele ''mundaréu'' de objetos deixados ali para serem vendidos por uma baixa quantia me veio a vontade de falar sobre esse elo que temos com essas coisas. Olhando para todas aquelas coisas me perguntava de quem havia sido, Como havia parado ali e por que. E não é minha intenção evocar nenhum espírito ecológico com esse post, apenas falar sobre essa relação do culto ao novo, da constatação evidente diante de nossa fragilidade: o homem e suas próteses, cercado de parafernálias que o fornecem conforto e alguns lhe mantem vivo, além é claro da curiosidade de saber de onde vinham certas coisas.

        Cercado por todas aquelas coisas quebradas me sentia numa espécie de cemitério da sociedade do consumismo. Uma sensação nostálgica vinha atrelada a tudo isso.


                                 














TV Fábrica. A partir da esquizofrenia no twitter.

Caso não seja audível, o texto dito esta por escrito logo abaixo. Perdão pelos possíveis erros ortográfico e gramaticais, mas quis manter tal qual é dito no vídeo. Corrigi apenas os pontos mais absurdos. 

                      

Então
Pra que isso? Qual é a necessidade de estar sendo visto ouvido e lido constantemente?
É muito interessante como nos dirigimos para uma necessidade assídua e constante de nos relacionarmos, mas ao mesmo tempo paralelo a essa necessidade vemos uma ausência de relação, o que é bastante paradoxal, não?
Por que, ora. Você acaba sendo narcisista, por que se torna uma relação onde você fala com você mesmo sobre você mesmo, num autismo social absurdo. Não há, de fato, a meu ver obviamente. Claro, não estou aqui colocando nenhuma verdade. Não há uma relação precisa entre dois seres humanos, mas sim um duplo monólogo. Ora, mas pra que queremos uma relação, não é mesmo? Qual a necessidade que nós temos de relacionar constantemente, de maneira intensa e verdadeira, hum?
Rá!
Não faço a menos ideia
Mas eu acho que é isso sabe. É mais um questionamento acerca da atual situação social
Social querida!
Social sim!
É uma doença. É um mal que nos aflige
Ai gente! Estou falando besteira, estou com sono.
Acredito que dois terços do vídeo têm sim fundamento concreto, numa dúvida e um questionamento concreto, a outra parte até aqui, por exemplo, é besteirol e baboseira.
Mas queria deixar bastante claro para as pessoas que me conhecem e sabem que eu sou, o que não é muito coisa não é? Ainda! Que nada do que eu faço é vazio e sem sentido. Queria deixar absolutamente claro,(seria a única vez) todas as coisas que faço, registro, filmo e fotografo tem um sentido, tem um discurso comum, mas não poderia eu dizer que discurso, por que faço tais coisas, por que automaticamente eu desapareceria. É confuso eu sei, mas é que realmente não posso explicar, por que se eu explicar , o que eu quero que seja dito não será mais dito, não existirá mais. E não é marketing pessoal para chamar sua atenção para mim. É realmente um fato que eu não posso explicar (E não! eu não três peitos e cinco pênis), bem, é isso. Thank you very match for watch me.Tchau! Beijo! Felipe Damasceno fábrica de damas desliga.













Eu, pombo.


Vendo e pensando a TV saiu isso:


                       Hilário
             Há uma ''tentativa'' por parte da tv de ser crítica e satírica a partir dos fatos ocorridos no país, mas o que acontece é que de tanto falar isso, de tanto criar riso em cima dos problemas do país, o problema some e o foco fica sendo o rir de algo. Algo que não se sabe o que é, por que não a um aprofundamento, não se usa esse dispositivo que esta em todas as casas para de algum modo informar algo que faça a população pensar sobre aquilo. É apenas um motivo para gerar riso pelo riso. Nada mais além disso. Nada que faça a população pensar, e não quero aqui defender o discurso que coloca a população como burra e passiva diante de tudo que lhe é posto. Mas sim a postura desse dispositivo diante da população.

             Aquilo que antes surge como uma sátira acaba tornando-se um assunto vazio, ou seja, o ato de tanto se fazer rir o por que do rir acaba nem sendo mais entendido, escutada, tornando-se hipnótica e.. vazia mesmo. É  aquela teoria vai empurrando... Vai empurrando. Um humor bobo e pouco inteligente mesmo, criado para ser entendido de forma imediata e percebido como piada de forma instantânea, o que na maioria das vezes não tem graça. E não tem mesmo. Além, evidentemente, do apelo descarado ao corpo feminino, reforçando um machismo e a comercialização do corpo da mulher.A mulher como um pedaço de carne.


                                               Sexo: o Guia
                A partir dessa comercialização do corpo da mulher na TV como atrativo, percebo o sexo como norteador de toda a programação que passa nela. É como se tentássemos fugir desse ''homem primitivo'' que há em nós, mas ele esta lá de alguma maneira reforçando os nossas mais instintivas vontades. Evoluímos a um ponto onde possuímos comunicação instantânea e a longa distância, mas continuamos sendo macacos querendo fuder. E não que isso seja um problema, mas acredito que tenhamos outras possibilidades além dessa... Ou não. A nossa própria postura em fotos e em relacionar-se gira em torno disso, como se estivéssemos numa eterna dança do acasalamento. Piadas, brincadeiras, tudo gira em torno da trilogia guia de nossos tempo: cú, rola e buceta.

As músicas frisando constantemente valores como: ser raparigueiro, ser gostosa, pegador... Dentre outras virtudes tudo isso gerido pela filosofia "TO NEM AI" , "EU FAÇO O QUE QUERO", "FODA-SE" "SÓ EXISTE EU NO MUNDO".

                                                 Campanhas Políticas
                 Um dos maiores incômodos, além claro da poluição sonora visual, é o fato de tanto nos debates como em suas propagandas, a promessa da resolução dos problemas simplesmente assim:
Melhorar a educação, melhorar a saúde, construir vias de acesso...
Enfim, mas não se vê um aprofundamento dentro disso tudo. Não há nesses discursos um "como" Acredito ser muito reconfortante dizer que solucionará o problema da educação, mas não é só dizer que vai resolver. Penso que deva ser do conhecimento das pessoas quais as estratégias para resolver coisas ou desenvolver outras. Consequência disso a existência de debates televisivos funciona como um circo, onde não se tem tempo suficiente para discutir sobre o assunto, e o que mais me indigna é que os que estão para o tal debate são os que tem maior pontuação, ou seja, devo pensar dessa situação, que os que tem maior carga publicitária dentro da tv e fora dela são os que estão aptos a tomar as rédeas de uma cidade, estado, país ou seja lá o que for? É uma questão de visualização apenas? onde quem é mais vsto será eleito? Eleição não é propaganda de evento, margarina ou cerveja.

video







Brian Eno - Thursday Afternoon (14 video paintings 1981-1984)

Sou apaixonado pela nudez, ainda mais a nudez feminina. Não sei se apaixonado, talvez tenha me excedido nas palavras, mas acho bonito a nudez feminina tratada nesse vídeo.
Bem esse vídeo é de Brian Eno. E me foi passado em uma oficina de videodança, como algo que muito se pareceria com a estética que passo para as pessoas.

*GOSTO do vídeo todo, mas sabendo que nem sempre se assite a tudo, ainda mais em tempos tão acelerados. Indico-lhes os pontos que mais gosto, ficando a seu critério ve-los ou não. :)

*0min 0 seg até 13min 54 seg:
Adoro as cores saturadas e o desfoque. Fora sua movimentação que é linda.

*13min 54 seg até 19 min e 16seg :
Gosto de como ele explora a câmera, pelo corpo delas.

*41 min 26 seg até 1h 04 min 29seg:
A cena que mais me hipnotiza. os cabelos dela, ela sua nudez. Muito lindo. É tão leve, apaziguador.

*1h 04 min 29seg em diante:
Me angustia um pouco, gera uma sensação oposta da imagem anterior.



29 de agosto de 2012 - referências

Confesso ter sido um vídeo muito importante dentro do que quero pra mim enquanto dança. Acredito que eu sempre fui apaixonado por esse tipo de movimentação. Essa nuance veio entrar no que estou construindo como solo de maneira irracional e instintiva, onde por mais ter me inebriado com esse vídeo após ter visto, não inclui essa nuance logo de imediato. Ela surgiu como resposta a uma necessidade que o trabalho me pedia, que pede ao meu corpo. Gente acho lindo isso. rs

Sei bem que nem todo mundo tem paciência pra ver o vídeo todo, e assumo ter sido um ótimo meio de perder a insônia, rsrsrs, Mas gosto muito dele

p.s: Também admito que o vi em parcelas. rs













Da necessidade dos Povos.


Da necessidade dos Povos, dessa necessidade de ter, de possuir, de comer. Da necessidade de se fundir e de se tornar um. Trocar de fluídos. Primórdios de um eu morto. E de repente ascendemos em forma de luz ao mais absoluto nada. Grande nada esse que é o todo. O nada de nossas existências, o nada do amanhã, que forma o todo, que me forma, que forma você, que forma tudo. Cada ponto de luz é algo que se perdeu de nós. Cada brilho distante é um lugar e tempo precisos demais para minha pobre compreensão do que seja esse grande nada... Ou todo.

Com fazer para ferir as paredes dessa grande bola oca que estou aprisionado?  Estamos. Quanto mais perto me aproximo mais distante vai ficando, como o mais nobre sentimento dos homens. Quando o fim estiver próximo e não mais estiver aqui serei um átomo. Seremos juntos. Talvez essa seja a única maneira para tornarmo-nos esse um. A morte, o fim. Por que essa conectividade é a única coisa que nos resta de humano. É essa conexão que nos faz respirar, essa conexão que nos alimenta, que nos mata. E a essa conexão damos o nosso maior desprezo. Medo. O medo guia tudo isso que se alastra pelo horizonte sem fim. O medo guia as minhas e as suas ações para a mais absoluta precisa, exata, concreta, petrificada, dura e imutável racionalidade.



Não consigo reagir, não consigo mover-me. Sabe quando você se silencia pra entender o porquê de estar como esta? Talvez seja mesmo isso, uma necessidade de silenciar-me diante de tudo. Penso que estou perdendo todas as batalhas. Existe algo de absolutamente incomodo e calmo, me perturba, mas é calmo. Não que isso seja bom, é apenas uma característica desse incomodo. Diante da rotina, diante de minhas escolhas, de minhas fraquezas, de minhas ausências. Você começa a desistir de certas coisas. Começa a querer que elas venham por se só. Mas elas não vêm. No meu caso... Nunca.


Gutto Hepburn



A festa já passou, e não foi muito boa devo confessar. Mas foi bom ter feito esses videos com eles. Gosto muito desse. Delicado. Poético. Como a pessoa que foi filmada.
E que chova, que cai muita água. mágoas passadas quando penso terem sido esquecidas elas voltam repentinamente. Não por que queira, mas por não ter o que quero. Não me sinto bem, mas odeio ter que ta expondo isso. Quem se importa com os problemas alheios? Quero tanta coisa e ao mesmo tempo todas elas são tão simples. Fico me repetindo, as vezes não gosto de mim, as vezes não gosto do que me tornei, desde sempre carrego esse sentimento de inferioridade. Por vezes tentei dissipa-lo de minha vida, mas essa fumaça me persegue sempre, me rondando. Quando noto, estou calado diante de uma multidão, desconectado de um mundo real para viver a fantasia de algo que não consigo ser.

Me questiono o por que preciso de um ''feliz para sempre'' , se bem sei não existir. Bem sei que nada  dessas coisas que julgo publicamente patéticas existi de fato, a não ser em mentes sonhadoras... lúdicas.

Estar esperando a morte constantemente, não só minha mais de outros. Perdendo força. Entrando em um círculo vicioso de amargura e tristeza. Uma bola de neve. Um não querer ver certas pessoas. um querer sumir eterno. Um querer absurdo de que alguém se ajoelhe diante de mim e me peça em namoro, um alguém  que eu possa amar. Antes disso um aprender a amar. Esfaquear o peito pra acordar algo que ta la dentro morto. Um total desespero. Desespero de arrancar a pele, rasga-la como se faz com presentes, com embalagens de bolachas. Expor a carne viva, chorar toda essa dor, talvez morrer chorando. Talvez morrer. Morrer.

Eu não sinto mais nada. Eu não sinto mais nada. E sinto todas as dores.

Pensar em mim como apenas mais um me rasga, me corrói, me sangra. O que mais quero nunca revelei a ninguém literalmente, muitos já acertaram em piadinhas, mas nunca confirmei. Gostaria de dizer, gostaria de expor, mas se o fizer nunca mais o terei de você. Nunca mais terei de forma verdadeira. Você me dará por que eu pedi, e isso eu não quero. Já não me acalma. Percebi que esperei por isso a minha vida toda, e foi a unica coisa que me fez seguir em frente. É o que me faz chorar, é o que me faz forte, é o que me faz desistir, é o que me diminui, é o que afasta e aproxima você de mim. Sou apenas um mortal, reflexo de um mundinho miserável e primitivo. Sou a bela adormecida esperando despertar.

Sem um pedaço.










               




Uma indecisão, uma dicotomia, uma não certeza, uma tentativa inexistente, uma possibilidade incerta, uma falta de ação, uma ''sim'' solto no tempo, uma esperança de possível, um mal, um cheiro, uma vontade, uma necessidade. Posse. Querer, ter, estar, sentir, esquecer e começar a crer que não acontecerá, começar a ter esperança e logo perde-la. A Branca de Neve em mim morreu com os anões. A Cinderela ficou com um pé do sapato. a Bela Adormecida desenvolveu insônia por acreditar que se dormisse não seria acordada por ninguém. Morta. Seca. Vazia. Esquecida. Podre.

Não possuo esse direito. Não posso te-lo. Sou incompleto. Imperfeito. Me falta um pedaço que procuro desesperadamente, mas que não encontro e nunca encontrarei. Esse pedaço, não me é visível.

Olhos pretos, sem brilho, um rosto pálido e uma boca borrada de vermelho. A imagem do que me tornei. Uma máscara, uma caricatura. O meu eu sem o pedaço. Isso dói cada vez mais. Dói. NÃO É CRISE, MAS UM ESTADO PERMANENTE DE BUSCA. A vontade schopenhaueriana latente em mim.

As vezes creio estar me tornando algo não humano. Eu me amo e é apenas esse amor que posso ter direito.

Por que usar óculos escuros?

           Acho o óculos escuro um objeto tão potente enquanto metáfora para nossos tempos. Nele ao mesmo tempo em que vejo o outro o outro não me vê. Isso, ao meu ver, gera uma necessidade de ver os olhos de quem os usa, pois são dos olhos que a comunicação se inicia, é dos olhos que você entende alguém... Ou não. 

         Há no ato de usar óculos escuros uma necessidade de ver o outro, mas não ser visto, uma cautela em mostrar-se verdadeiramente. O medo de olhar no olho, de ver o outro.  É voyeristico tão quanto a TV, onde diante de você há um portal para um mundo recortado e misturado de várias possibilidades possíveis. Uma collage do olhar de alguém do que é o mundo, mas esse portal não tem acesso a  imagem real de quem a vê. A TV é vista, mas não lhe vê.




          Nessa relação você esta absolutamente seguro, pois você ''tem o que quer'' mas não precisa doar-se, despir-se, mostrar-se ao outro. Essa forma de relacionar-se com o aparelho meio que dilata-se da sala de TV para o cotidiano do telespectador, onde as relações se dão de maneira utilitária, superficial e instantânea






       Longe de mim trazer aqui qualquer espécie de lição de moral ou excluir-me de todos esses fenômenos. Isso é apenas um percepção pessoal do mundo que me cerca.

      Essa metáfora é apenas um ponto, onde obviamente existem centenas de outros fatores que causam o que identificamos como doença do século XXI. Essa solidão acompanhada, mediada pelos Mass media.

.



                                                                                        Felipe Damasceno

A inconsciência do incômodo.




Existem momentos em nossas vidas que decidimos e escolhemos no que acreditar, porém existe também dias em que temos que transgredir o que definimos como ideológico para nossas vidas, normalmente por motivos de necessidade básica, como ter o que comer. Artistas sabem bem o que isso significa. Desde que me entendo por gente percebia que algo me incomodava profundamente. Não entendia por que certas situações que vivenciava me faziam torcer a cara.


Não chegava nem se quer a questionar esse incomodo, não identificava como incomodo, não conhecia a palavra incomodo. Sabia que se dissesse para fazer tal coisa, independente de quem seja eu deveria obedecer, afinal quando se é criança você nunca tem razão. Decidiram que eu tinha que crescer, afinal você cresce por que percebe que o mundo funciona de um jeito que não adequa-se aos movimentos, pensamentos de uma criança. Crescido e crente que sabia de tudo que precisava saber, mantive-me torcendo a cara sem saber o por que. Aceitava tudo o que me era dito e reproduzia com fidelidade, pois qualquer ajuste de vírgula seria visto como heresia e blasfêmia. Mas quem iria me punir?

Todo esse incomodo existia, crescia a um nível tão profundo e desconhecido que o definiria como inconsciente. Pronto! Acho que é essa a palavra chave. A inconsciência de um incômodo por parte de certas situações, inconsciência de uma possibilidade de autonomia. A inconsciência de pensar. Não sabia pensar. E quando falo de pensar, me refiro a avaliar certa situação, momento, seja lá o que for e dela tirar algo para si. Gerar uma opinião, mesmo que não seja transformado em discurso, argumento. Palavras.

Após descoberto meu propósito, o meu por que de existir e lido “A dúvida”(esse ''por que'' me é dado não por alguém, por que creio que desse modo me tornaria um ser coisificado, um objeto com uma finalidade, mas um por que dado por mim, pela minha vida, pelas minhas necessidades enquanto ser humano) me fez prometer que não aceitaria nada sem pensar e contestar tudo aquilo que viesse
discordar.

Quando se passa para esse lado, não tem mais como retornar a essa postura, a meu ver, confortável e passiva. Hoje, sendo eu nada mais que um ser humano, olhar para essas pessoas é me ver nelas, ver uma ausência de opinião. Como se de fato não pensassem. Talvez muitos que venham a ler isso discordem do que digo por acha tais palavras por demais pretensiosas. Mas acrescento que grande parte das pessoas que lerão isso, serão artistas que conheço, e em sua grande maioria. Discursivamente falam o mesmo, mas com o medo politicamente correto de parecer nazista e politicamente incorreto.

Eu sinto pena. É tudo que consigo sentir, não por ser mal, mas por ser sincero o suficiente em dizer o que sinto nesse momento. Não consigo conversar com elas, parece que não me compreendem. Parecem só entender de novelas e vídeos do momento. Ai se eu te pego. Ai se te atravesso Ai! Ai! Se te atravesso, diriam alguns. Não é sobre conteúdo que me refiro, conteúdo se tem desde que se saiba usar o Google em sua potencialidade máxima, mas sobre ter opinião.

Como chegar nessas pessoas? Como? Como queria que pudessem ver o que vejo (ver e não pensar). Que maneiras, posso eu como artistas, gerar para tocar nesse ponto, tocar nas pessoas, chegar nelas? Tê-las comigo? Quero ver de outra maneira o nascer do sol.

Não sou só eu que quer aparecer. Assuma você também!

             O que marca esses tempos da informação, se não o fato de podermos falar como estamos nos sentindo?              Fabuloso. 

            Não se precisa mais preocupar-se com o pagamento do analista, afinal, blog, Facebook e o falecido Orkut substituem muito bem aquela criatura blazê que nos olha por cima dos óculos como se fossemos doidos.                                                                                                                                                                                                                                          
Até algum tempo atrás o ato de falar de si para alguém era pouco realizado, senão evitado, onde com o advento de Freud e a psicanálise ocorreu um rompimento nesse paradigma.  Além da existência de assuntos intocáveis, existia aquelas pessoas que tinha problemas que com uma conversa poderia se resolver


             Pensando mais especificamente no Facebook, devido a sua instantaneidade e sua dinamicidade, ocorre que existe uma necessidade de informar, publicar e noticiar o que se esta fazendo e pensando, mas nem sempre se evidencia por completo o real motivo do que se esta publicando. Não se diz de fato que não te ama mais, o que aconteceu para você estar com raiva ou quais os motivos reais de sua tristeza, apenas que se esta triste ou que se decepcionou no amor, etc. 
            Mas qual a relevância disto meu deus?! Enfim. 

            De novo volto a repetir que vivemos tempos de narciso, tempos em que o ato de mostrar tornou-se um ponto muito relevante no ato de socializar-se. De ver-se, não só no sentido de imagem, mas em textos, vídeos e toda possibilidade de se expressar. Expressa-se, mas nem sempre se estabelece um diálogo. Compartilha imagens de protesto e manifestações, mas não comparece. Digo algo por uma necessidade de expressar-me e pronto, nada mais. E trago isso tudo, obviamente inserindo-me nisso. Não pense você que por estar escrevendo isso me excluo dessas características.

            Tudo isso me faz trazer o termo (realmente não vejo outra palavra melhor aplicada a esse fenômeno) autismo social, uma metáfora aplicada devido ao fato de que no autismo não se tem consciência de que exista uma exterioridade, ou seja, o autista não identifica o mundo em seu entorno, tendo para si apenas a sua existência. Mas no caso da sociedade, acredito que não seja realmente por não ter consciência do outro, vejo mesmo como resultado de tempos acelerados onde a informação deve ser consumida os ofícios cotidianos realizados com o menos prazo possível. 

              Isso nos leva a facebookianamente falando nos expressar de maneira enigmática, não dando todas as informações no status. Apenas um aperitivo de intimidade com aquele que posta. Acho que também tem que se leva em consideração o fato de a maioria dos meus amigos serem ou pretendem-se ser artistas, ou seja, enigmas são atualmente (atualmente não, isso é tudo culpa do Duchamp.Mictório maldito.) uma das maneiras mais utilizadas de se fazer arte. 



                  

                Agora viajei.



                                                    Felipe Damasceno

Para ser Deus tem que ser pop.

Felipe Damasceno

                Quando vejo aquela imagem de um homem pregado na cruz e centenas de milhares de pessoas adorando aquilo, sempre penso em pop stars. Um símbolo só é alguma coisa se existe alguém que o siga (ou no caso uma multidão), sem isso não passa de um pedaço de madeira velha. E essa analogia de deuses com meros ícones musicais realmente me fascina, pela aparente possibilidade de qualquer um poder ser uma espécie de deus, bastando, de alguma forma, atingir a grande população (simples assim, rsrsrs).


Mas como atingir a população? Como atingir as pessoas? Creio que seja simples. Dar a elas o que elas precisam, ou fazer com que achem que precisam (e isso a nossa colorida publicidade faz muito bem). Jesus deu aos seus contemporâneos o que precisavam: palavras de amor e paz. Obviamente que algo tão bom, como o sucesso e posse das atenções de seu tempo não viria sem algo igual e oposto. Mas a conclusão de que o matando cessaria sua ideologia caiu por terra e sua morte só veio a fixar suas ideias e imortaliza-lo até nossos tempos.

Em meus sucintos anos de vida terrena conclui que as pessoas precisam de apenas uma coisa: serem ouvidas. Dê isso a elas e você as terá. Levando em consideração que o mundo em que vivemos é uma velha rabugenta e surda que fala pelos cotovelos e não escuta nada nem ninguém, o fato de ter ouvidos para a vida do outro e suas questões é mais incrível do que voar ou disparar raios lasers pelos olhos, ou mesmo pior, realizar os malditos trinta e dois fouetés em uma apresentação de ballet.


Quero dizer que essa ideia de religião é muito relativa. Socialmente aplicada, ela se dobra e desdobra de acordo com as necessidades dos que estão no controle. Claro que existem aqueles que têm uma compreensão de deus muito mais abrangente e mais humana, ou seja, os que vêm deus não como um ditador ferrenho, mas como Imagem sintetizadora (símbolo) de coisas positivas e negativas que o evoluam enquanto ser humano. Devo acrescentar que o mais irônico é que a grande maioria que conheço que possuem essa compreensão não está em qualquer igreja.

Sempre me intrigou o fato de centenas de pessoas seguirem apenas uma, ou um grupo seleto. Quer dizer se todas aquelas pessoas se revoltassem, o que é considerado líder tornar-se-ia em segundos apenas adubo, ou seja, seu poder sobre essa grande população é mais do que mera força física. É mental? É sentimental? Sexual? Enfim. Jaz aqui apenas algumas questões que vieram com essa imagem, não é uma explicação, interprete-a como quiser ou então aceite meus argumentos, pois estarei sempre aqui para ouvi-lo.

Um sono de 165 anos.


O sono durou 165 anos. Após ter destruído minha coluna vertebral em um acidente que não me lembro bem, fui conservado durante todo esse tempo, não envelheci um dia e despertei com parte de meus amigos do século 21 ao meu redor. Um deles me trouxe uma armadura que envolveu meu tronco para que pudesse andar novamente. Parecia que tinha tirado um cochilo, um breve cochilo.
Acordei assustado perguntando por quanto tempo tinha cochilado, e um deles me respondeu que dormi durante quase dois séculos. A primeira pergunta que me veio foi se a minha mãe ainda estava viva, e tive como resposta que não, de alguma maneira a visão aérea do dia da morte de minha mãe estava registrada em uma espécie de celular de um desses amigos. No vídeo ela tinha sofrido algum problema de saúde um uma ambulância que à levava apressadamente para o hospital (os carros ainda estavam presos ao chão, ou seja, fazia muito tempo que isso tinha ocorrido) quando e uma curva a ambulância capotou e fechou a rua após isso a câmera do vídeo que assistia focou em um homem com capa que tinha planejado tudo aquilo para impedir o livre fluxo da rua por algum motivo, na ambulância capotada minha mãe morreu. Fiquei sem ação em ver aquelas cenas. Tudo estava muito confuso. Como aquilo podia ter sido gravado? Parecia filme policial, novela.

O quarto era simples, rústico devo acrescentar. Questionei-me: Que diabo de futuro é esse? Será que em quase dois séculos não houve nenhuma mudança? Por que eles estão imóveis diante de mim?
A armadura me acoplou a meu corpo. Era uma barra metálica com braços frios, a frieza do metal, como que simulando uma coluna e suas costelas. Ela abraçou-me e sumiu, como se minha pele tivesse a absorvido e então me movimentei, me levantei.
Agora tinha 83 anos com corpo de 22 e maturidade de 22, pois todos os 61 anos eu tinha dormido. Saltei no tempo e permaneci o mesmo. Não sabia o que era, não sabia mais quem era, muito menos onde estava.

O que se fazer em um sábado de semana santa?



O que se fazer em um sábado de semana santa, afinal no domingo ele esta voltando?
Bem! Caros amigos, nada mais conveniente do que sair para uma noite pecaminosa e fazer mais um estudo antropológico.
Acredito que todos devam conhecer a DIVINE. Santuário das bee’s que desejam dançar, beber e talvez encontrar o príncipe encantado ou simplesmente uma fornicação descartável de fim de semana, ou como minha vizinha evangélica definiu certa vez – Aquele lugar onde mulher quer ser homem e homem quer ser mulher, o que não acho bem verdade. O fato é que depois de muito tempo afastado de lá (Sim! Caros amigos, eu era assíduo aos domingos) percebi que é um dos lugares mais divertidos que já andei. É bem verdade também que o lugar tem uma energia pesada, onde no início desalinhava todos os meus chackaras. Mas o que mais me admira é que as pessoas que são lascadas assumem isso, não ficam fingindo que tem dinheiro (se bem que isso tem em todo canto, mas lá o índice de bicha besta é menor)

Uma das pérolas da ultima noite foi uma bicha interagindo com o dance fazendo falsete de soprano. A cada batida do dance ela soltava uma nota, uma vez era ré, outra dó, enfim a gata era do coral. Joguei-me na parede de tanto rir. Na tentativa de dançar, uma bicha chata de cabelo alisado jogava o cabelo o tempo todo na minha cara, sem dúvida ele tinha alisado naquele dia por que não parava de mexer naquela putaria.
A pesquisa em torno do comportamento humano prossegue até mesmo dentro da sala de vídeo, e eu lhe garanto que o que estava sendo exibido não era ‘’A Lagoa Azul’’ ou ‘’Denis O Pimentinha’’. O que tinha lá dentro, além do filme pornô, era um homem deitado dormindo, uma bee fazendo carinho na orelha de um ‘’boy’’(reforcemos o negrito das aspas, por favor) declarando publicamente suas intenções fornicadoras e concupiscentes para com a vítima. O outro ser humano era uma bee que a cada abrir e fechar de porta da sala fixava o olhar como quem via o príncipe encantado que tanto esperara entrando. O filme era detestável e sobre filmes pornográficos eu entendo, afinal de contas são eles que saciam minhas necessidades fisiológicas básicas. Não quero entrar em detalhes acerca da experiência cinematográfica ali vivenciada, apenas que os boys do filme eram feios, magrelos demais e um deles estava de pinto mucho (ou para as rebuscadas: pênis em ponto de repouso) o que me faz ficar descrente do ato sexual e perder o interesse.

Outra coisa que me fez mijar de rir foi uma semi-trava, pois tinha peruca mas a roupa era de homem, talvez ela fosse vanguarda, não entendi direito. Ela deu duas voltas no meio da sala, todos olharam para ela, jogou o cabelo para o filme abriu a porta e ficou olhando para gente fixamente do lado de fora da porta até a porta fechar, quando ela estava quase fechando jogou o cabelo, deu rabissaca e foi embora.

Bem! a noite foi ótima, me diverti horrores com minha friend

Causos da madrugada.

Insônia é algo que já estou acostumado a tempos. Nem sei se de fato é insônia sabe, acho mesmo é que gosto da noite e me acostumei com ela. Gosto da manhã, adoro o café da manhã e o cheiro de carbono de manhã urbana, mas o excesso de barulho e gente apressada me cansa.


Bem, em uma dessas noites resolvi contemplar o silencio da noite sentado na porta de onde moro ouvindo Madonna (claro!). E então de repente me surgi uma garota, linda devo admitir, com cara de rica. Passa por mjim e pergunta se ando no Feitosa, disse que sim, mas apenas uma ou duas vezes. Se apresentou e falou de sua angustia.

ELA: Cara! Não consigo dormir, tava  muito afim de me drogar, ai decidi sair pra comprar sabe.  É uma
merda eu sei, mas se não usa não durmo.
EU:  e que droga você usa?
ELA: Eu to com maconha aqui no bolso, mas não sei enrolar. Você sabe?
EU: Sei não gata. Que foda isso de droga né?
ELA:  É pior. você vai ficar ai? Quando voltar agente conversa.
EU:  Não vou não, tenho que trabalhar amanhã.
ELA:Então vou indo. Tchau.
EU: Tchau. Cuidado ai.

Achei tudo muito cênico. Muito  mesmo. Não criei juízo de valor algum, apenas achei a situação absurda. Do nada uma figura me para perguntando sobre coisas como se me conhecesse. Enfim.


                                                                                                       Felipe Damasceno

Mais um Vômito.

Desculpa. Desculpa mesmo. Mas precisava dizer isso ao menos aqui onde tenho voz para pessoas invisíveis e desconhecidas.

Não sei para onde ir, não sei o que fazer. Preciso esquecer pessoas. Apaga-las da minha vida e num futuro distante revê-las como algo que existiu em mim, mas que não existe mais. Quero morrer e ao mesmo tempo viver. Quero sumir e ao mesmo tempo existir, me senti importante, não por qualquer gente. Me senti amado. De novo ir embora. De novo esquecer todos aqui e em um lapso de lucidez retornar revigorado. Outro. Mudar de Felipe Damasceno para Fernando de Morais, ou seja la que merda eu possa ser ou ser chamado. Chorar tudo que preciso e parar de perder tempo com tolices de relacionamentos e viver apenas aquilo que sei fazer no mundo, ou pelo menos acho que sei. Nada nem ninguém mais importaria além do que tenho de mostrar aos outros.

Uma pressão puxa tudo pra dentro de novo e acredito que sempre puxou, eu apenas tento ignoro-la. Uma angústia, uma tristeza, uma melancolia.

O tema morte ronda meus pensamentos todos os dias. Não consigo dormir. Me sinto fraco, incapaz e desimportante. Descartável. Plástico. Vazio. Inútil. Pequeno. Miserável. Infeliz. Mal amado. Sozinho.Sozinho.Sozinho.Sozinho.Sozinho.Sozinho.Sozinho.Sozinho.Sozinho.Sozinho.Sozinho.Sozinho.Sozinho.Sozinho.Sozinho.Sozinho.Sozinho.Sozinho.Sozinho.Sozinho.Sozinho.Sozinho.Sozinho.Sozinho.Sozinho.Sozinho.

Se existe uma porra de deus, que se faça presente.
Que se foda essa porra de deus.

Minha mãos tremem. Meus olhos se umedecem. Minha pernas ficam bambas. Diante do espelho vejo meu  rosto desmanchar-se. O sangue corre mais lento e me vejo antes de dormir morto e esquecido, como qualquer coisa desimportante.


Assim falou Damasceno.


Há tempos que não escrevo, pois decidi em mim evitar girar em torno de crises pessoas, as crises artísticas e existenciais são o que alimentam esse blog. Também sei que não há como dividir tais crises, mas o que quero dizer é que não é meu desejo tornar esse blog um depósito de ''eu não estou bem'' , afinal niguém hoje em dia se importa como vc esta ou deixa de estar. Fato.                                            

   Bem! Narcisista como sou (afinal sou filho de meu tempo, fiel a ''superficialidade'' de nosso século) venho com imagens metafóricas (minhas claro) falar o que vejo e penso sobre o mundo.




                                                                                            


Muitos negarão o que falarei, e muito acharão amargura e recalque de minha parte, mas... O que dizer das relações ''amorosas'' hoje?

Talvez isso seja sim em parte de minha atual situação amorosa (um completo fiasco) mas apendi bem a lidar com tudo isso. Amigos resolvem a parte do ouvir minhas inquietações, meus desejos e a parte de jogar conversa fora ou seja o :''estou com você''. A parte fisiológica eu deixo para os filmes pornográficos que baixo, assisto e interajo fisicamente e as poucas saídas que faço na busca infindável do maldito e filho da puta, que não cansa de brincar de esconde-esconde, príncipe encantado.

Tudo parece isso mesmo, um cachorro que vê os frangos girarem na churrasqueira querendo devora-los e saciar sua fome, ou simplesmente sua vontade. É assim que vejo os homem - cães devoradores de franguinhos - e não me excluo disso, afinal sou um homem. Claro que existe os sentimentos nobres, aqueles que vemos dilatados nas pecinhas de teatro sensíveis e nas novelas das oito, mas não consigo vê-los realmente. Vejo discursos inflamados e de olhos marejados sobre o amor e estar próximo, mas no fazer (verbo pouco praticado em nosso tempo onde a ideia já basta) o que resta mesmo é a ejaculação e o pedido de desculpa por ter sido antes do tempo.



                                                                          

Certo dia caiu em meus braços a questão: Se underground define-se basicamente por aquilo que esta fora do alcance popular e comercial. O que seria esta a alcance? Quer dizer, tem um um termo tendência e em inglês para esse oposto? Sim pessoa! Tem e eu o descobri recentemente, com orgulho devo acrescentar,
ele se chama MAINSTREAM

Todo Mundo hoje quer ser UNDERGROUND, quer dizer todo mundo quer ser diferente e simplesmente por ser diferente, só para nadar contra a corrente, só para contestar. Não sou o tipo de pessoa que possa ser considerada ''normal'' afinal adoro moda, kkkkk. Não! Brincadeiras a parte acho que esses termos hoje estão confusos.

Na verdade sofremos de uma enorme necessidade de descobrir a pólvora, de ser novo, de ser original. Todo mundo é diferente, consequentemente todo mundo é igual. A nível antropológico,a moda de ser ''diferente'' nos torna prisioneiro da necessidade de descobrir o novo o tempo todo, e a não descoberta disso nos deixa loucos.





O fim é que da sentido a tudo. O fato de as coisas acabarem dão sentido a elas existirem.Ao mesmo tempo tudo só faz sentido por que existe o objetivo final, no caso do sexo é o orgasmo, no caso da vida é a morte. Criamos projeções de vidas e coisas que desejamos para nós

Viver é sofre, assim dizia Schopenhauer. E não quero aqui trazer seu pessimismo, mas o que é para mim o cerne de sua questão: o sentido das coisa esta no objetivo que se tem na vida, esse eterno correr atrás de algo ou de alguém. Ou seja parece que perde-se a graça quando se consegue algo, quando vc tem aquilo que quer, você necessita de mais e acho que devemos ficar felizes com essa característica, afinal ela é o fator primordial da evolução humana.

Mas o que acontece quando voce não consegue aquele sapato que voce tanto deseja, ou mesmo aquele boy magia? Isso diviniza o objetivo, tornando-o inalcançável e etéreo. Tornando você cada vez menor e com um maior sentimento de impotência.

Essa técnica é constantemente utilizada por campanhas publicitárias e artistas pop (principalmente). A espera do novo cd da Madonna, percebi-me visitando seu site quase que constantemente na doce ilusão de encontrar algo novo. O frisson torna as coisas imensas, quando na verdade não passa de mais algumas músicas.





                                                                                        Felipe Damasceno


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