Sagração as Fast Food - Mostra Arte Caseira - Itapipoca


Release:

Mídia. Sociedade de consumo. Mass Media. Media, (que origina-se do latim um termo derivado do latim medium, meio e media, meios). Os meios de comunicação como meio entre os homens.
Como o corpo reage a todas as influencias midiáticas que o nosso tempo nos trás?
O que pode ser considerado meu, tendo em vista todas as imagens e discursos que me bombardeiam constantemente? É importante algo ser meu em uma sociedade marcada pela conectividade?

O tempo do excesso é o que vivemos, tempos do rápido e descartável, onde o homem se vê cercado pela hegemonia da mídia e da sua indiscutível existência como meio entre o homem e a sua maneira de comportar-se socialmente. A partir de um outro olhar para o cotidiano e a corporeidade do homem contemporâneo afetado por todo esse aparato tecnológico midiático, o trabalho tenta trazer no corpo essas informações dissecando-as, desgastando-as, ritualizando-as.



Processo:




Apresentação no ESPAÇO ARTELARIA:

Fotografia: Tayana Tavares.





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Olha só! É um menino e com muita saúde. Que glória.


E assim nasço. Como cria tua meu senhor. Serei-lhe fiel até os tempos dizerem-me o contrário.

Fragmentos.







Qual o sabor do nada?


Esse pós modernismo não deixa concentrar-me em livro ou filme qualquer. A esmo em pedaços de filmes e trechos de livros pdf. Vagando mentalmente em coisas inúteis e uteis a um alguém qualquer que presumo ser. Não sei o que falo ou faço, não sei tão pouco se coloquei açúcar no café, o que sei é que quero que passe logo, que siga, não crendo no amanhã como salvação, mas que apenas passe.

O amanhã é mais importante. Desisti de que amanhã iria ser melhor, mas o ato da passagem alivia, como dorflex. Quando o hoje acaba, quando o agora acaba tem o novo. O novo é legal, por que é desconhecido, por isso é bom mudar de caminhos, mas muitos querem o novo com o conforto do conhecido, dai a crise.

Abro os olhos e é o mesmo que estar com eles fechados, a escuridão que cobria meu olhar se torna escuridão de ideias, de imagens, por que da necessidade de saber o que vai acontecer? Por que da necessidade de ter um sentido? e se sei que o sentido é desnecessário, por que sofrer por sua inexistência? Que confusa é a mente humana, que tola, que desconexa. Somos tão primitivos. Tão toscos.

Sem paciência para você que me lê e para mim mesmo. És um tolo se achas que falo de mim, poucas as vezes o faço. Me coloco como antena, apta a erros e acertos, transcrevo aqui o que possivelmente seja um sentimento seu também, ou não.

A originalidade é a lei e a pressa nosso guia.


Desejo de conquista.


Pensei na desistência de uma vida, nas quedas e nesse reerguer constante. Pensei na existência de uma vida vazia, pensei em mim, pensei no que poderia tornar-se real e no que poderia ter sido feito dentro do possível, ambas são a mesma coisa. Verborragia. Infinitude. Desejo de conquista. 

Em um olhar parado e morto me contemplo diante de mim. Eu simulacro. Eu auto imagem distorcida e revertida em um tempo que me soa primitivo. Uma imagem erguida com tijolos de criança indefesa e idiota. E no sonho eterno de ser coroado pelos que me cercam, perco-me, alucino-me, desprendo-me da realidade e espero. Insatisfeito com o tempo da espera... Espero. Espero que esse eu que vive em mim exploda e abocanhe cada ser que se aproxima de mim, como um vírus, como uma bactéria.

Na geladeira.



Oh céus, que faço eu? Não sei se como, se durmo, se vou ou se fico. Não sei se me deito e conto os momentos frustantes da vida, ou se penso na novela e no dia de trabalho amanhã. O que faço diante da geladeira? Como vim até aqui? Mas já que vim... Pra que preciso dela? Deus! Como sou inconstante e desapercebido das coisas do mundo, como poderia eu ter vindo parar aqui? Uma ausência de memória repentina me ceifou a lucidez da existência e percurso de poucos metros de distância de onde estava para onde estou? Um salto quântico? Talvez seja o mundo das sombras que Platão tanto dizia? Onde esta esse das idéias?
O que são tais idéias perfeitas que me assolam? Que assolam os reis? Emfim, por que vim até aqui? Me refiro a geladeira. Falo da GELADEIRA. Ok! Vamos por parte. A geladeira é pra manter as coisas conservadas, frias e de preferencia úteis para mim de alguma forma, eu abro-a quando necessário e retiro o que dela me interessa. Depois fecho-a. Simples. Mas sempre me pergunto no que acontece quando eu fecho  geladeira, ou um armário. Será que as coisas permanecem ali tais como as deixei? Será que não são levadas para outro lugar? Como um buraco negro? E se essas coisas "mortas" estiverem vivas? Se elas pensarem? Tiverem vontade própria? Deus! Que cruel sou, eu as como. Mas quem sou eu, reles criatura faminta e egoísta para impedi-las de, por exemplo, saírem da geladeira? Irem até o microondas nas férias, ou no fogão elétrico? Visitar seus companheiros no armário? Correrem livres pela casa. Não me levem a sério, vegetais e condimentos industrializados não tem vontade própria. Tem como utilidade unica serem comidos.

Ainda estou diante dela. Ainda tenho mil vontades e mil indecisões. Como indeciso posso ser diante de tantas coisas que me são ofertadas pelo mundo? Tenho tudo. tenho pão, tenho café, tenho até leite condensado e um cigarro amassado, que mais iria querer no mundo lá fora? Por que essa fome? Fome de sair? Fome de comida? Fome de gente? Fome de sexo? Fome de amor? Fome de amizade colorida? Fome de tantas coisas que se ditas perdem a graça de se ter fome. Pois só se tem fome quando o estômago esta vazio. Óbvio. Por que iria querer mais do que meu estômago suporta? Que maluquice né?!

Sempre me perguntei por que pra dormir tem que se fechar os olhos. Seria biologicamente incorreto, tendo em vista que para a perpetuação da espécie, dormir de olhos fechados facilita os predadores de nos pegarem, né não?! Eu só tenho sono nas horas mais chatas, que é quando eu não quero e não posso dormir, confesso que acho chato dormir, fica de olho fechado, não ver as coisas acontecendo, não poder participar. Ai eu lembro da geladeira de novo, será que eles não saem por que estão dormindo? Estão dormindo? Várias vezes eu deixei a geladeira aberta e eles continuarão lá. Talvez seja como aquela estória de elefantes de circo, é assim: Quando jovens são amarrados em um pino de ferro resistente, pois se agitam muito por estarem e passarem o tempo todo presos, já mais velhos o pino é mais frágil, de madeira, pois estão velhos e já se acostumaram com aquilo tudo lá. Legal né? Fiquei me perguntando pra que eles trocaram os pinos? Poucos pinos? Nem sei se esta estória é verdadeira, eu vi em algum lugar, acho que em um desenho animado. Achei que fosse verdade ai contei, rs!.

Ai! quero correr. Sabe aquela vontade de correr e tacar o cu na pista até ralar todinho? Pois é! As vezes da essa vontade, não sei por que. Por que teria vontade de sair correndo? De tacar o cu na pista? Qual o sentido disso? Humano inconstante. Me deu sono. Acho que vou dormir. Tchau!




Felipe Damasceno


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