Câncer


Nem sei mais pra onde caminho. a verdade é que cansei de mim. Cansei de ser eu. Cansei de deter-se em um chão de ovos, por medo de quebra-los. Não há nada a que se apegar, alem do fato de que sou apegável e apegado. Preso. Contido. Silêncio. Como carnaúbas em meio ao sol quente, me finco estático no meio de povos inteiros, marginais. Egocêntrica... Tsc tsc!

O leite que derramaram no ditado é as lágrimas retidas nas retinas de um carangueijo que se rejeita enquanto tal.

Silêncio.

Parto rompido, parto iniciado.Estado de pós parto depois de dores que são necessárias;. Me sinto como essa fêmea, que se recupera de algo belo e doloroso. Não. Não me recupero de nada além da minha não aceitação de um eu fadado ao lamento. Lamento... Palavra grotesca que escorre de uma  clã pautado no sofrimento do cara pregado na madeira.O homen perfeito que se mata por um ideal e que é lembrando com doses cavalares de culpa.Um mundo de culpa.Uma vida de culpa. Culpas como tratores que moem montanhas e abrem caminhos ingrimes e tortuosos rumo a mediocridade humana.

Silêncio.

Eis que sou um oceano de silêncio e desconcerto. Calado, estático e fervendo como chama, como incêndio. Raiva condensada de mil vidas.Injustiça engarrafada nas estantes de uma mente carente e miserável. Fracasso. Grávida... A gravidade age sempre contra todos os corpos que se colocam como carne, pois é fato que se deitar diante do problema é sempre o mais cômodo. Mas... O que se fazer diante de um desmoronamento de terra? O que se fazer diante de um desmoronamento de mundo... De si? Minha cabeça dói. Não... Eu não sofro mais. Estou bem, eu estou bem.

Imortais.


De tanto olhar não consigo ver nada.



Como lutar, se é que posso empregar essa palavra, em um tempo onde as relações estão fragmentadas? Não é unindo que se constrói ou destrói algo? não mais? Como mudar um todo quando os componentes que outrora moviam esse todo não se importam mais? Como lutar contra algo que é invisível e até inexistente? Gritar não adianta mais. Bandeiras tremulantes e mártires não funcionam mais. Serviram por grande parte de nossa história, mas hoje os heróis são invisíveis e românticos demais pra realidade. Heróis foram abraçados pelo entretenimento e se tornaram parte de algo que passou. É bonito de ver na ficção, e hilário de se ver na realidade. Talvez o herói esteja escondido, disfarçado, como superman, esperando a hora certa para agir. Talvez o herói tenha arrumado um emprego, se casado, tido filhos, engordado (não que seja um problema engordar tá? Longe de mim agredir alguma minoria ((não! Calma! Eu não quis dizer que era minoria não, é que...))), e cansaram de todo esse altruísmo, que hoje é cafona e démodé. Não é uma falta de esperança, mas sim tentar compreender a nova ordem. Não insista... Levantar o punho com a mão fechada e bravejar por justiça não funciona mais, soa performático, panfletário e não que haja problemas com essas características, mas é que hoje em dia quando mais se grita menos se ouve.
Aparentemente essa nova forma de "lutar" se dá no "in"; invisível e na imaterialidade, informalidade.
Prefixo In: privação ou negação, movimento para dentro, sentido contrário.
Sentido contrário! Retroceder, Retornar. Vivemos o "dobrar-se" sobre nós mesmos. Talvez (sempre falarei no talvez) como em um corredor sem saída dentro de um labirinto. Chegamos até aqui seguindo uma forma de pensar e o que nos resta é bater de frente com a parede e retornar para nos perder de novo. Nos perder. Estamos perdidos. Minhas mãos alisam a parede em busca de uma porta. Sorte de Alice que podia comer e diminuir para poder entrar na minúscula porta. Sorte dessa garota que tinha uma porta. Minhas mãos tateiam essa parede que me impede de seguir, seguir pra onde mesmo? Pra que tenho que seguir? Talvez estivéssemos errados quanto a linha reta, talvez devêssemos ser sinuosos, girar em círculos, dobrar a linha em curvas inúteis e...Curtir o caos e o fim do que talvez nem tenha começado, ou começo de um fim que não terminou. Meus olhos tateiam, meus grandes,esbugalhados, esfomeados e sedentos olhos deslizam pela aspereza de um plano, de uma tela, de um possível fim, buscando algo para me distrair, que me faça feliz e que me faça esquecer. Meu olho olhou tanto que de tanto olhar não conseguiu ver nada.
Felipe Damasceno.

PIROCAS, BUCETAS E CUS VOADORES.



Este que vos escreve considera dispositivos intermediadores da fornicação presencial como, scruff, tinder, grindr dentre outros de suma importância para o futuro da compreensão humana enquanto ser. Pauto essa teoria escrita aqui levianamente na crença do fim da pornografia como segmento marginalizado da cultura e diluição de seu preceitos, ideais, motivos e principalmente ângulos em todas as esferas da cultura, arte e quiça cotidiano.
Penso que talvez a ideia do livre coito em vias públicas possa soar selvagem e um retrocesso civilizatório, mas tais pensamentos difundidos nesse humilde texto e em bocas e mentes de grandes seres pensantes pelo mundo a de se fazer lógica e sentido em um futuro próximo.


Podemos ver em obras musicais direcionados ao público considerado "massa" um certo vislumbramento do que trago nesse pequeno comentário. Palavras como cu, buceta, pau, grelo, xinim, piroca, priquito, fenda, bôga, caneco, perseguida, mastro, rôla, neca, rachada, furico, ostra, dentre outros substantivos gloriosos de nossa era, hoje evocados de maneira banal, são e fazem parte de nosso cotidiano movendo-nos talvez de forma infantil ao riso, pois de certo modo ainda não superamos esse tabu que podemos chamar de sexo, trepada, coito, fornicação, rapidinha, etc.
Não esquecendo também espaços como "cinemões", banheiros públicos de terminais, restaurantes, vestiários, becos escuros e dark-rooms santos templos de beijos desconhecidos, lambidas corpo-gráficas e ejaculações efêmeras. Hoje tais lugares, filhos do hedonismo são mal vistos e marginalizados, negados até por seus fiéis frequentadores.
Damasceno.


P.S.: Diante das poucas palavras, posso considerar a sua vinda aqui por causa da foto de divulgação e o título da postagem? Pensemos.

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