Abusadas, poderosas e inseguras (CLUBE 20. [17/02])

Disponível? Essa foi a pergunta que me foi feita ao atravessar as portas da boate. Respondi que sim, então ela me deu um adesivo escrito disponível atrelado a uma sutil propaganda de um motel - Nossa! Que sugestivo - Me senti uma vaca marcada, mas tudo bem mantive aquele adesivo por algum tempo depois tirei-o. Esse tipo de jogo é um estratégia óbvia de tentar relacionar as pessoas, é tido como brincadeira e tal, mas no fundo todas ali são inseguras e não querem admitir isso.

O que realmente eu não compreendo é você ir para um lugar para conhecer pessoas, conviver com pessoas e ao invés disso fazer cara de nojo e olhar com desdém os outros. Uma boate repleta de bichas feias, abusadas e pobres - porque eu bem sei que elas juntam dinheiro para estar ali - Querendo se passar por desejadas, lindas e ricas. É realmente patético. Além disso eu percebo uma necessidade de ser o foco da boate, o foco da dancefloor. Essa necessidade de ser a bicha mór. É claríssima a disputa por qual bicha é mais abusada e mais porra louca - Olha só querida eu danço mais e bebo mais do que você - Eu as olhava e ficava indeciso se sentia raiva ou pena.

O  lugar é muito legal (nada que um bom arquiteto não resolva isso), mas a música era odiosa, chata e repetitiva. Ta, eu sei que uma característica fundamental do pop, dance, techno é justamente isso, mas venhamos e convenhamos que criatividade e pesquisa não fazem mal a ninguém incluindo meus ouvidos. As músicas consistiam  em ''new divas atravecadas'' da musica pop estrangeira,  não que isso seja ruim, mas era visível a falta de pesquisa por parte de quem estava ''tocando'' as baladinhas da moda. Houve um momento que tocou uma música que é bem gostosinha de se dançar, quando a vibe tava massa,  o cara que estava apertando play e  pause e verificando o volume( não ouso chamar aquela pessoa de DJ, porque ela não era) enfiou uma meia hora de techno incabível. PASSADA! Brochei na hora.

Eu sei que já falei sabe, mas era muita bicha besta. Nossa! Já tava me irritando aqueles cutuques de abuso -Ah! Esqueci - Em tal momento apareceu uns gogoboys pra completar o circo. Não é recalque, eles eram gostosos e eu lambia até a carteira de identidade deles se eles quisessem, mas foi estranho ver garotos propaganda de massa muscular rebolando com cara de ''Voce nunca me terá''. Tinha bicha que entrou em uma espécie de transe, hipnotizada com a possibilidade de ver algo mais além da sunga. Mas também me veio outra coisa; no meio daquela putaria toda se eles resolvessem tirar a maldita sunga em pouco tempo as gueias iriam olhar, falar mal, achar pequena essas coisas e pronto, talvez uma ou duas iriam pro banheiro pra ser feliz solitariamente, mas só.

Não posso deixar de falar da melhor parte. Tal hora teve o sorteio de algumas cortesias para o tal motel. E a competição era para quem ficasse melhor de quatro - Esfusiante! - Regidos por uma anfitriã caricata: uma bicha de franja que era abusada e afetada. Ali eu realmente me senti idiota de estar presenciando aquelas pessoas coompetindo pra saber quem ficava melhor de quatro. Pra quê? Por que? Será que eu estou ficando velho e não sei mas como me divertir? Juro que é isso que me vem quando presencio esse tipo de coisa. Fico me achando chato sabe? É essa maneira de se divertir hoje em dia? Enfim achei redutivo. Achei bobo, mas quem se importa com isso né? Vamos nos divertir!

No final o que realmente salvou minha noite foi ter ido com as friends do Aratanha house (monkey habitat) o resto não passou de estudo antropológico.



                                                                             Felipe Damasceno

Um comentário:

Iury Braga disse...

bee babado forte sabe que nunca eu fui fazer ciência em uma boate, mas eu me urinei de tanto rir na frente do meu nome!kkkkkkkkkkk
muito bom mesmo! Meu não sabia que escrevia bem assim adoro e sigo lindo seu blog!

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